sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Se digo: vou ao banheiro.
Tenho mil curtidas.
Minhas poesias invejam esse banheiro.
Não sem fundamentos.
Se acham, por assim dizer, uma merda muito mais rara.

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Quem é você
De onde vem a ordem para que eu te ame
Esse senhor do amor vive bêbado
Faz seus despachos a nossa revelia

Então finjo
Sorrio o sorriso mais largo e demorado possível
Enquanto aperto firme o terço imaginário
E rezo com a fé mais chinfrim:
tempo seja bom comigo

No mais, cumpro a ordem
Mesmo fraco, desnudo, faminto e louco

quarta-feira, 22 de maio de 2013

domingo, 28 de abril de 2013





Nós não somos pequenos, nós somos grandes. Nós não somos pequenos, somos maiores que o mundo. Tivemos nosso tempo de beleza e de verdade. 



quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Corpos Transeuntes

Eu disse amém.
O tempo é um vexame para mim.

Eu a encontro em corpos transeuntes.
Em partes de corpos transeuntes.
Nos fios de cabelo, na cor dos fios de cabelo, no comprimento deles, na leveza.
Mas, são só transeuntes.

Na estatura de sol.
Mas, são só transeuntes.
Em todo o olho negro e em toda pele branca. 
Mas, são só transeuntes.
A multidão de transeuntes é um imã para mim.
Ofensivamente bela.
Tem o formato de uma mão. 
Firme e delicada como seu espírito e alma. 
Um resquício de fisionomia transeunte e tudo vem à tona.
Uma fuga frustrada desde o início.
Também tudo o que é distante, silencioso, frio, recôndito é um reencontro.
Sei que ela está aqui, não preciso vê-la nem preciso que me digam para saber.
A alma dela, coerente, corre para os meus braços.
Nos beijamos no meio da rua.
Alma com alma, o que é o tempo para elas?
O corpo dela rebelde nem se mexe ou fala.
Pasmam os transeuntes.
Desejosos de encontrarem um amor assim.

Segundo Cícero, amigo e padre, terei que confessar esse amor perpetualmente.
Me poupou de outras punições que não a saudade e os transeuntes.

quarta-feira, 11 de julho de 2012




Aquela brisa mágica
Folhas por todos os lados
Dentro e fora de mim
Canta o vento
Que bate na pele magenta
Ar fresco
Encho os pulmões com vontade
Ensaio uma dança no meio da rua
Alguém me vê e acha graça
Sorri desajeitado
Não me acanho
Estou mesmo cheio de favor imerecido

terça-feira, 10 de julho de 2012

Precisa-se de apontadores











Vim ao mundo decidido a mudá-lo.
Hoje faço parte de um exército falido, nossas medalhas são desilusões.
Vim com meus lápis de cor, o preto e branco sós me incomodavam.
Hoje sou cinza opaco.
Vim com o coração e mente abertos, ruminando ideias de liberdade, fraternidade e igualdade.
Hoje sei que todos os direitos conquistados ao longo de séculos 
- por exércitos mais bem sucedidos que o meu - 
são um escudo de papel para a humanidade.
Ao menor sinal de desiquilíbrio, venha ele de onde vier, o mais forte reunirá em seu celeiro a qualquer custo o pão e a água de seus irmãos os deixando padecer.


Eu sou o negro cuspido em um ônibus na América, mesmo sem reagir fui espancado até a morte.
Eu sou a garota de 16 anos que é estrupada pelo pai desse os 8.
Eu sou o feto ignorado numa vala da China.

Eu deixei mulher e filhos em casa e trabelhei duro, 15... 17 horas por dia até que me tornei inviável para os negócios da empresa.
Eu sou o jovem que mexe no seu lixo e que encontra tudo que precisa para sobreviver.
Eu sou a mulher apedrejada numa praça sem nome do Afeganistão.
Eu sou o senhor de 90 anos com sua família inteira encurralado em um cômodo de uma casa no Brasil sob ameaça constante de morte daqueles que nos levam tudo.

Eu sou o poeta que foi traído pela própria letra e torturado de 64 à 85 - ano de minha morte.
Eu sou o primeiro dia, estava com Caim e Abel, as coisas não melhoraram de lá para cá, mesmo havendo tantos pacificadores. 
Não vejo esperança no futuro, tudo em mim dói.

sexta-feira, 29 de junho de 2012

O Jardim

Diante do campo olho obcecadamente o jardim.
Ainda tenho barro entre as unhas e duas farpas que não consegui tirar.
Meus olhos estão satisfeitos com o suor do meu trabalho, até que os repousassem nos sacos pretos mais ao canto, cheios e lacrados.
O trabalho do qual me orgulho agora é também desconforto.
Não sou jardineiro. Aprendi com as mãos na terra que lá moram as larvas, queimei-me.
Puxei um mato bravo com as mãos descobertas, tornei-me a queimar.
Essa mais que a outra, interrompeu um dia de trabalho.
Reguei mais do que devia. Deixei de aguar o necessário. Quanta dor há até que se ache o equilíbrio!
Reconheço em você meus dias no jardim.

Texto de Angélica Monção Lima e Kléber Novartes.
São Paulo, 02h00, 29 de junho de 2012.

terça-feira, 19 de junho de 2012

l'amour perdu

Provo com zelo as palavras, te darei só as doces e suaves.

Não sou mais o cavalo jovem que desafia.
Sou o lago onde ele bebe.

Não a tocarei.
Nem me aproximarei a ponto do qual seja impossível manter minha promessa.
Apenas te acaricio a cabeça enquanto dorme.

O fogo está aceso, dos outros cômodos se sente.
Ouvi-se o gemido da lenha.
Ele consome tudo!
O que se faz com as cinzas?
É justo que sempre se jogue fora o que sobra?
Mantenho-me impávido diante do que não escolho.

Sinto teu lábio.
O sinto esbaforido.
O meu treme molhado, balbucia teu nome.
Sinto minha mão na tua perna como no primeiro dia.
Sorrio de lado.
A tristeza tem sua doçura quando se acha o caminho.

Sigo.
Seguir é a sina humana.
Já partem sem parto as lembranças.
Teu cheiro não me ocorre agora e o tempo dissipará outras particularidades.
Eu sei e você também sabe.
O amor não está disponível para todos os pares.
Me vingo deixando a torneira aberta.

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Para dar certo.


Para dar certo a vida não requer alinhamentos astronômicos, à exemplo do eclipse, mas requer - muitas vezes - o seu significado: "deixar para trás".